Cidade SEM SAÍDA Vias secundárias não desafogam trânsito

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Sufoco

Um exemplo são as vias que, anteriormente, davam fuga para o caótico trânsito da Aguanambi e Pontes Vieira. Atalhar caminho pelas ruas Jaime Benévolo, Sólon Pinheiro e Visconde do Rio Branco e, no sentido norte/sul, na Barão de Aratanha e Assunção pode não garantir um percurso assim tão rápido. Estão, em horário de pico, entre 6h30 às 8h30 e entre17h30 até às 19h30, bem congestionadas, com pouca mobilidade.

O diretor do Sindicato dos Taxistas de Fortaleza, Cesário Oliveira, lamenta a situação e critica a falta de planejamento e de estudos sobre os fluxos. Segundo ele, o que tem piorado, conforme reclamações constantes dos motoristas, são as obras que “pipocam” na cidade e têm forçado a população a se virar na busca de atalho.

“Todo mundo já sai de casa pensando que caminho fazer, quais ruas evitar e em que horários ir para determinados locais. A gente até pega as ruas secundárias, mas a rota se afunila e sempre caímos na avenida principal”, avalia Oliveira. Ele cita vários pontos em que o motorista estaria “entalado”.

Para quem vem da Avenida João Pessoa, por exemplo, segundo Oliveira, e quer fugir da Avenida da Universidade, fica sem alternativa alguma. Poderia, no máximo, voltar para a Rua Barão do Rio Branco e sofrer com todo o congestionamento.

“O que falta é as secundárias se tornarem principal, melhorar a iluminação e sinalização. Boa solução seria achar alternativas, fazer intervenções como pontes e abertura de vias para gerar mais fluxo”, sugere o diretor.

Chateação

Em um tour pela cidade, é possível perceber a saturação de vias, tidas antes como alternativas, como as avenidas Ildefonso Albano, Soriano Albuquerque, Monsenhor Salazar e outras. Na rota para a Avenida Washington Soares, o motorista “pena” na rua secundária dos Manguezais até cair na Israel Bezerra. São minutos de paciência e temor com o atraso no trabalho ou faculdade. Nos caminhos de acesso para os locais da Região Leste de Fortaleza, sobra chateação e faltam rotas alternativas.

Os estudantes e trabalhadores sofrem, em especial, com dois pontos, “nós cegos”: Rua Maximiniano da Fonseca, no cruzamento com a Miguel Dias, e na Rua Firmino Rocha Aguiar com Márlio Fernandes, no bairro Luciano Cavalcante.

Trafegar pelas vias na região, nos turnos da manhã e da noite, tem se tornado um verdadeiro transtorno. Alguns motoristas relatam que as vias secundárias parecem até mais congestionadas e complicadas que as grandes avenidas, como a Washington Soares. Um drama.

O universitário Yuri Vidal, 22, passa dia e noite pensando que caminho tomar até conseguir estacionar e entrar, finalmente, na sala de aula. Ele acessava a Rua Maximiniano da Fonseca, mas diz estar prestes a desistir.

“Estamos presos. Na avenida principal, ninguém anda e, na secundária, é todo mundo parado. Não tem mais vantagem cortar caminho. A gente acaba, depois de dar um monte de voltas, caindo no mesmo inferno”.

A equipe de reportagem tentou contato com a AMC, mas a assessoria relatou a impossibilidade da entrevista.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
O egoísmo de um que atrapalha outros tantos

Quando as vias principais congestionam, os motoristas tendem a procurar outros caminhos que são, provavelmente, mais extensos, mas podem ser percorridos em um tempo menor. A busca desses caminhos alternativos leva um tipo de tráfego diferente a ruas que não deveriam ter esse uso. O que ocorre em Fortaleza é um abuso de veículos estacionados em locais proibidos e a construção de estacionamentos irregulares. Para piorar, motoristas que não encontram vagas se sentem no direito de parar, atrapalhando o fluxo de veículos, enquanto esperam que surja uma oportunidade. Se a via faz parte de itinerários de linhas de ônibus, o problema é maior. Dezenas, ou mesmo centenas, de pessoas são atrapalhadas por um único indivíduo que está cometendo uma grave infração de trânsito.
Mário Azevedo
Prof. Depto. Engenharia de Transportes da UFC

Interdição na Antônio Sales causa transtornos

Mais uma obra do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) foi iniciada. O trecho da Avenida Antônio Sales entre a Avenida Virgílio Távora e a Rua Coronel Jucá foi interditado, na manhã de ontem, para a realização de serviços de drenagem, pavimentação, padronização das calçadas e sinalização.

No entanto, apesar dos benefícios para a cidade, o fluxo diário do trecho gera um longo congestionamento e desconforto para os motoristas, que são obrigados a buscar vias secundárias na tentativa de fugir do tráfego intenso da avenida.

O representante comercial Ricardo Porto, que circula diariamente pelo trecho, ressalta que, para o trânsito não ficar caótico, o ideal seria que a equipe de operários trabalhasse 24 horas, inclusive durante a madrugada. “É preciso ter agilidade e copiar o exemplo das grandes capitais que trabalham sem parar”, diz Ricardo Porto.

Estratégia

De acordo com o Transfor, a obra será realizada por quarteirão e a interdição da via será parcial, tomando apenas uma faixa da via, deixando duas livres para o fluxo de tráfego. Ainda conforme o órgão, os serviços serão executados, primeiramente, na faixa da esquerda, sentido Aldeota/ Cocó. A previsão para a conclusão da etapa é de 45 dias.

A previsão é de que a Avenida Antônio Sales seja totalmente restaurada até dezembro de 2012. O investimento no serviço pela Prefeitura Municipal de Fortaleza é de, aproximadamente, R$ 12 milhões.

Fonte: Diário do Nordeste