Presidente Dilma nomeia Paulo Sérgio Passos como Ministro dos Transportes

VII Congresso Salvador
 
Menos de uma semana após a demissão de Alfredo Nascimento, Dilma escolhe substituto de perfil mais técnico

Brasília. Cindo dias após a saída de Alfredo Nascimento (PR-AM), o ministro interino dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, foi efetivado no cargo pela presidente Dilma Rousseff (PT). Ela formalizou o convite ontem, e Passos aceitou. A posse será amanhã.

Passos entra na cota do Partido da República (PR), embora a legenda tenha dito anteriormente preferir um outro nome com mais trânsito com as bancadas da sigla no Congresso. Como a decisão não agrada aos deputados, a presidente já providenciou um encontro no Palácio da Alvorada para acalmar os aliados e não deixar a crise do PR contaminar a base governista.

Desde a semana passada Passos vinha substituindo Nascimento, afastado após denúncias de corrupção nos Transportes. Para o lugar de Nascimento a presidente chamou o senador Blairo Maggi (PR-MT), mas ele não aceitou o convite. O preferido da presidente passou a ser Paulo Sérgio Passos. Mas, por problemas com o PR, principalmente com a bancada de deputados, a presidente teve de esperar o partido se acalmar.

Ele aceitou o convite, segundo confirmou em nota o Palácio do Planalto, e assume no lugar de Alfredo Nascimento, que deixou a Pasta na semana passada após denúncia de superfaturamento em contratos.

Perfil

Passos, 55, é economista, formado pela Universidade Federal da Bahia, e servidor público federal desde 1973, quando ingressou por concurso público como técnico em planejamento, do Sistema Nacional de Planejamento, lotado no Ministério dos Transportes.

Posteriormente, passou a integrar a carreira de Planejamento e Orçamento. Além de ter atuado em diferentes cargos no Ministério dos Transportes, também exerceu cargos de destaque no Ministério do Bem-estar Social e no Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, onde foi secretário-adjunto da Secretaria de Orçamento Federal por seis anos.

Dilma chegou a convidar o senador Blairo Maggi (PR-MT) para suceder Nascimento. O ex-governador alegou impedimentos legais para assumir o posto, uma vez que suas empresas têm contratos com o governo e no setor de transportes.

Maggi também é padrinho político do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit), Luís Antônio Pagot, que depõe hoje no Congresso Nacional.

CRISE
Pagot ´não vai apontar dedo a ninguém´, diz Maggi

 

Brasília. O depoimento do diretor afastado do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transporte (Dnit), Luiz Antonio Pagot, aguardado desde a semana passada no Senado como uma espécie de exibição de um “homem-bomba” do governo, não deve provocar sobressaltos.


Foi o que seu padrinho político e senador Blairo Maggi (PR-MT) afirmou em telefonema ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, a quem adiantou que Pagot “não vai apontar o dedo” a ninguém para se defender das denúncias de um suposto esquema de corrupção no Ministério dos Transportes.

De acordo com um interlocutor do Palácio do Planalto, a presidente Dilma Rousseff está “tranquila e decidida a fazer mudanças profundas no Dnit”.

Um ministro que acompanha de perto o desenrolar da crise nos Transportes também confirma que Dilma “fará uma limpa” na Pasta e que, além de mudar pessoas, vai mudar “os métodos” para evitar novas denúncias de corrupção e dar mais eficiência ao setor.

Na semana passada, Pagot citara o nome do ex-ministro de Planejamento em outro contexto. Falou que Paulo Bernardo, hoje nas Comunicações, recebia empreiteiras e mencionou até uma rodovia do Paraná, que teria sido inicialmente orçada em R$ 140 milhões e o preço final acabou em R$ 400 milhões.

A ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, defendeu, ontem, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, e tentou minimizar as preocupações do governo com declarações do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), Luiz Antônio Pagot. Ela evitou comentar se Pagot, que está de férias, está definitivamente fora do governo ou voltará.

Fonte: Diário do Nordeste